ARQUITETURA, TECNOLOGIA E SUBJETIVIDADE: ANÁLISE DO FILME MON ONCLE DE JACQUES TATI

Alexandre Machado Santana, Núbia Santanna Vieira, Sergio Rafael Cortes de Oliveira, Yasmin Cruz Gomes

Resumo


Este artigo apresenta uma análise de conteúdo do filme francês Mon Oncle (1958) de Jacques Tati. A obra retrata as dicotomias entre Monsieur Hulot e sua família – os Arpel – e as mudanças da cidade tradicional francesa ocasionadas pelas grandes transformações da Europa após a Segunda Guerra Mundial. A trama tem como plano de fundo uma sátira cômica às formas de morar, à urbanidade e ao comportamento humano, abordando questões contemporâneas à época. Para a construção de uma análise que tornasse visível esses enfoques, foram averiguadas as relações com Arquitetura, tecnologia e subjetividade, segundo trechos específicos dessa obra.  O agrupamento de cenas permitiu identificar a percepção de Tati sobre o movimento moderno que distanciava a França, naquele momento, das referências historicistas. Com essa compreensão foi possível avaliar a relação direta do ambiente construído com os aparatos tecnológicos empregados na residência apresentada no filme – a Villa Arpel – e o quanto essa união foi nociva para o cotidiano da família de Hulot. A utilização de um programa arquitetônico distante das necessidades dos usuários fez com que a casa fosse palco de muitos conflitos, afastando os moradores e os visitantes de criar um vínculo afetivo com a residência. O presente estudo visa contribuir para o adensamento dos debates sobre as temáticas supracitadas, fazendo a aplicação da literatura específica de processo de projeto em Arquitetura, tecnologia e subjetividade, podendo assim extrair discussões atuais do longa-metragem, mesmo que sua narrativa tenha ocorrido em meados do século XX e propiciando reflexões atuais sobre o ser humano e o espaço construído.


Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


 

ISSN: 1679-9844 
  

 This work is licensed under a Creative Commons License Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.