Interdisciplinaridade e Educação Antirracista: O Caxambu como Eixo Temático para as Relações Étnico-Raciais no Sul Capixaba
Palavras-chave:
Educação Antirracista, Interdisciplinaridade, Lei 10.639/03, Caxambu, Pesquisa- AçãoResumo
Este artigo relata e analisa uma experiência pedagógica interdisciplinar focada na educação antirracista, em conformidade com a Lei nº 10.639/03. A pesquisa parte da problemática de que, apesar da vigência da legislação, sua aplicação no ambiente escolar frequentemente se restringe a abordagens pontuais e comemorativas, falhando em promover uma ressignificação curricular efetiva. O objetivo principal foi analisar uma prática pedagógica, fundamentada na pesquisa-ação, que utilizou a manifestação cultural do Caxambu (Jongo) como eixo temático central para articular os componentes curriculares de Arte, História e Geografia. A ação foi desenvolvida com uma turma do 8º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública estadual no sul capixaba, buscando demonstrar um caminho concreto para converter a diretriz legal em uma vivência significativa de letramento racial. A fundamentação teórica articulou três pilares: o arcabouço legal (Lei nº 10.639/03) e as diretrizes estaduais;
a interdisciplinaridade como práxis pedagógica que exige engajamento e supera a fragmentação (Fazenda, 2011); e a valorização dos saberes comunitários como conhecimento legítimo. Neste último pilar, destacou-se o papel da Associação Grupo Cultural do Horizonte e seu projeto Situa Negro como vetores de letramento racial na região. O percurso metodológico, configurado como um relato de experiência qualitativa, detalha o planejamento e a execução da sequência didática. A intervenção integrou os saberes locais, contando com a participação de mestres da cultura popular (como Antônio Tupy e
Zimá Domingos), e promoveu a produção discente (murais, apresentações de capoeira). Os instrumentos de coleta incluíram observação participante registrada em diário de campo, registros fotográficos e a análise das produções artísticas dos estudantes. Os resultados indicam que os objetivos foram alcançados. A análise qualitativa revelou um notável engajamento dos discentes e um deslocamento positivo em suas percepções sobre a herança afro-brasileira, alinhando-se à Competência Geral nº 3 da BNCC (BRASIL. Ministério da Educação, 2018). Conclui-se que a prática é uma contribuição efetiva para a educação antirracista, pois valida os saberes da comunidade no ambiente escolar, e oferece um modelo replicável para a superação de abordagens curriculares eurocêntricas e fragmentadas.
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