O DIALETO CAIPIRA: UMA ANÁLISE SOCIOLINGUÍSTICA DA NOVELA PANTANAL
Palavras-chave:
Variação Linguística. Dialeto Caipira. Pantanal.Resumo
A língua portuguesa se constitui por uma rica diversidade linguística, onde os usos linguísticos vão se adequando de acordo com o contexto em que o falante está inserido. Ainda assim, algumas variantes linguísticas são desvalorizadas, principalmente aquelas que não dialogam com a norma padrão da língua, refutando, assim, as pesquisas sociolinguísticas. Diante desse cenário, este estudo apresenta como objetivo promover uma reflexão sobre os fenômenos linguísticos que envolvem o dialeto caipira por meio de falas das personagens da novela Pantanal, visto que, muitas vezes, essa variante é considerada inadequada. Como objetivos específicos, pretende-se: discorrer sobre o preconceito às variações linguísticas por meio de um viés sociolinguístico; falar acerca do regionalismo presente no dialeto caipira e, por fim, mostrar a variação linguística presente na fala das personagens da novela Pantanal. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de cunho bibliográfico, tendo fundamentação teórica em Labov (2008), que aborda os estudos acerca dos padrões sociolinguísticos; Bagno (2007), o qual traz trabalhos sobre a pedagogia da variação linguística; Bortoni-Ricardo (2004), que apresenta concepções em torno da educação sociolinguística, entre outros. Como resultados, constatou-se que os falantes da zona rural, especificamente aqueles que residem no Pantanal, apresentam dificuldade de escolarização, uma vez que eles não têm acesso à norma padrão da língua. Essa situação torna-se nítida devido a diversos fatores, como a falta de concordância nominal, concordância verbal e a redução de vocábulos presentes nas falas dos pantaneiros. No entanto, mesmo com o vocabulário reduzido, não há alterações no sentido das falas das personagens pantaneiras. Desse modo, conclui-se que as variantes apresentadas caracterizam as variações diatópica e diastrática, como também revelam a identidade dos falantes, evidenciando, portanto, a diversidade linguística existente na sociedade. Destaca-se, então, a necessidade de valorização da pluralidade linguística e cultural, uma vez que estas representam as vivências singulares de cada região brasileira.
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